quinta-feira, 4 de março de 2021

ESQUECER? NEM PENSAR! - Heraldo Lins

 


ESQUECER? NEM PENSAR!


Eu sempre cometo erros em tudo que faço. Só me livro deles quando estou dormindo. Se vou jogar tênis, a raquete voa da mão. Nas refeições, o engasgo chama a atenção. Muita gente não quer me convidar para jantar porque tusso em cima da mesa. Às vezes, além de me engasgar, caio no chão espumando. Quando tem muito turista fico andando por perto das mesas tossindo e pulando como um canguru. Correm todos, uns para perto, outros para nunca mais. Além de errar na hora de comer, ao utilizar o banheiro lavo o sanitário com urina. Como preciso limpar, inventei um “transporter” urinário. Trata-se de um cano de PVC que acoplo ao instrumento. No início até que deu certo. Depois fui relaxando e não acertei mais o buraco da invenção. Comprei um cano de cem polegadas para não errar, mas ficou inviável carregá-lo para o trabalho. 

Além de errar sempre, sou também muito esquecido. Quando quero me lembrar de algo anoto, mas depois esqueço onde anotei. Diante dessa falta de memória, uso objetos para lembrar-me dos compromissos. Por exemplo: se vou viajar, amarro um barbante no pulso para me lembrar de colocar gasolina. Quando preciso comprar sapatos dou uma martelado no dedão do pé. Deixo-o sujo de sangue e só limpo quando compro o calçado, porque se limpar antes, esqueço.

Disseram-me que estou doente. A doença é... é... deixa “pra lá”. Comprei um remédio para a memória, e já melhorei bastante. O nome do remédio não me lembro agora, mas sei que é ótimo. Quem disse que eu estava doente foi uma mulher vestida de branco usando um medalhão pendurado no pescoço. Depois colocou as borrachinhas no ouvido, enrolou uma câmara de ar no meu braço e encheu. Desamarrou a câmara de ar e foi escrever. Com esse proceder, acho que quem é maluca é essa médica. Eu mesmo estou muito bem obrigado!       

        


Heraldo Lins Marinho Dantas (arte-educador)

Natal/RN, 03/03/2021 – 18:38

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