quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

AFINAL, TAMANHO É OU NÃO É DOCUMENTO? - Naílson Costa

 


AFINAL, TAMANHO É OU NÃO É DOCUMENTO?

            Com o isolamentos social por causa da pandemia do Covid-19, tenho  tido mais tempo pra ler, escrever, ver TV e até reclamar do sedentarismo, logo eu que sou caseiro e vivo, satisfeito, em prisão domiciliar desde que casei.

            Hoje parei pra ver um programa da vida animal na TV, e me chamou a atenção a solidariedade do hipopótamo para com a gazela, quando atacada por um enorme crocodilo, na margem de um rio.  O crocodilo iria comer a gazela se o enorme hipopótamo tivesse deixado. Seria solidariedade do hipopótamo à gazela, raiva de crocodilos ou os hipopótamos não toleram a farra dos crocodilos, que vivem a putrefazer as águas límpidas do habitat de seu habitat? Não sei!  Só sei que o crocodilo, mesmo sendo um carnívoro enorme, não se atreveria a comer a carne farta do hipopótamo.

            Lembrei-me, também, de quando eu jogava futsal. Eu adorava entrar de sola em jogadas mais disputadas. Numa partida contra Chagão, um adversário de 1,90 cm e 100 kg de músculos, eu não me dispus a chegar junto e rasgando, como sempre eu fazia. O tamanho da encrenca falou mais alto.

            Homens vivem a se angustiar e a se vangloriar com o tamanho de seus melhores amigos. Se pequenos ou médios, sofrem; se enormes, se exibem de cuecas brancas nas piscinas e praias. A esse respeito, as mulheres dizem que os homens sofrem à toa, pois o que importa é a esperteza do brinquedo e o prazer que este pode lhes proporcionar. Será? Sei lá! As mulheres são gentis!

            Só sei que o P não vê a hora  da  passagem do tempo, para que esse lhe traga a certeza do G, e  tirar, com grande satisfação, o seu documento do bolso, para entrar nos cinemas proibidos para menores de 18 anos.

            É enorme o tamanho da minha indiferença acerca da veracidade dessa resposta, e proporcional a pequenez de minha paciência, depois de nove meses de um isolamento social, por causa de um minúsculo, um invisível vírus que se abateu por sobre a imensa  arrogância e  imbecilidade humanas.

(Nailson Costa, em Diarreia Crônica, p. 22, Dezembro de 2020)

           

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