sexta-feira, 4 de maio de 2012

Professor ou educador? Ivanilson Costa



Professor ou educador?

Muitas pessoas não distinguem os termos "professor" e "educador" e acabam por confundi-los ou tratá-los como sinônimos. Na verdade, há uma abissal diferença entre esses dois termos. Enquanto um se refere ao profissional responsável pela instrução eficiente do aluno, o outro, além de ser profissional, é vocacionado e tem como responsabilidade a formação integral do seu aprendiz.

O dicionário Aurélio, de Língua Portuguesa, define professor como "aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina". Já o termo educador, que tem origem do vocábulo latim "educatore", é definido como "aquele que educa".

Não se pretende com este texto desconsiderar, tampouco, diminuir a figura do professor, mas diferenciá-lo dos educadores. Sendo os dois, tanto professores como educadores, fundamentais para o desenvolvimento intelectual da sociedade.

A Educação é um ato que envolve o ser humano holisticamente, ou seja, em todos os seus aspectos, sejam físicos, cognitivos ou morais. Ser educador, nessa perspectiva, implica enxergar o aluno como ser dotado de saberes, qualidades e potencialidades. O educador não está preocupado exclusivamente em repassar o conteúdo de sua disciplina, mas em compreender, entender e tornar a escola ambiente de felicidade. Para que o aluno aprenda satisfatoriamente ele precisa estar feliz.

É importante frisar que todos os educadores são professores, todavia nem todos os professores são educadores. Já ouvi muita gente falar que os professores são responsáveis por ensinar, enquanto os educadores são os atores componentes da escola. Esse pensamento é equivocado, pois educar é um ato que requer tempo, paciência e perseverança. Não se pode confundir os processos de instruir e educar, pois são distintos.

Na visão do educador, ao contrário do que pensam os professores tradicionais, considerando-se donos do saber, ele é um sujeito em constante processo de aprendizagem. O educador é aquele capaz de construir, juntamente com seus alunos, um aprendizado voltado para seus interesses e realidades. Ele não despreza as falas dos educandos, tampouco, faz uso do velho "magister dixit" (o mestre disse - expressão latina utilizada para se enfatizar algo inquestionável), vendo os erros de seus alunos não como obstáculos, mas como base para novos aprendizados e conquistas.

Encontramos muitos professores pelo Brasil a fora, mas, como enfatiza o grande educador Rubem Alves, professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.

Grandes educadores como Paulo Freire, Anísio Teixeira, Freinet, Ferreiro, dentre outros, contribuíram para termos uma educação mais emancipadora, democrática, participativa e consonante com as realidades dos aprendizes. Assim como há tantos outros educadores espalhados por todo o território nacional que desenvolvem sua profissão e vocação por amor, persistência e esperança. Educadores que muitas vezes saem às escuras de suas casas e percorrem 2, 3... 5 quilômetros a pé, e sempre recebem seus alunos com um abraço e um sorriso no rosto. A vocês educadores, semeadores de amor, meus aplausos e sinceros agradecimentos por enfeitarem nossos jardins, quais sejam: as escolas.

Ivanilson Costa é pedagogo e escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora às sextas-feiras


 www.ivanilson.com

8 comentários:

  1. Então quer dizer que todo educardor é professor, mas nem todo professor é educador. Seria isso?

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  2. Eu acho que uma boa formação dispensa essa dicotomia. “É verdade que muitos professores manifestam especial tendência e gosto pela profissão, assim como se sabe que mais tempo de experiência ajuda no desempenho profissional. Entretanto, o domínio das bases teórico - científicas e técnicas, e sua articulação com as exigências concretas do ensino, permitem maior segurança profissional, de modo que o docente ganha base para pensar sua prática e aprimore sempre mais a qualidade do seu trabalho". (LIBÂNEO, 1994, p.28).

    Não podemos mais pensar num professor que apenas repassa conhecimento, até porque aquilo que agora alcanço com um passo, daqui a pouco exigirá de mim um salto gigantesco. Não consigo pensar num profissional da educação que não acolhe, destoante assim de uma formação humanizadora. Vale observar, porém, que a sala de aula tem sido a menina dos olhos da sociedade para dá respostas, assumir culpas, corrigir e recuperar naquilo que tem sido falha e omissa. A escola pode ser até o lugar onde a criança faz sua única refeição do dia e professor pode ser o salvador da pátria. O passo seguinte e consequente pode ser a sedução para tentar identificar nele conceitos que melhor o defina nesse contexto de educação que se exige. E mais, ainda se fala muito no professor , quando a ênfase ,ao menos, deve ser na escola, como espaço democrático, de acolhimento e que desde o porteiro à direção deve proporcionar um ambiente propicio para o exercício de valores.

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    1. Prezado Maciel, formação, como o próprio nome já supõe, é apenas uma orientação para a prática, baseada muitas vezes em horas exaustivas de teria, sem nexos com a realidade. É fundamental fazer-mos essa distinção, sim. Eu não estou dizendo no texto, nem penso assim, que os professores não servem para o modelo de educação vigente, pelo contrário, eles, assim como os educadores, são fundamentais nesse processo. Já ví e ouvi de professores que só passam a matéria, não era pra existir, mas existe e não são poucos, professor. A distinção é preciso sim, como corrobora o Rubem Alves. A educação humanizadora só acontece no papel para muitos. E o motivo desse texto é refletir na seguinte premissa verdadeira: Professor= profissão; Educador= missão. Simplesmente isso quis enfatizar, sem pretenção de aprofundar demais no campo teórico, tendo em vista que teoria muitas vezes são vazias, desprovidas de humanismo. Espero que tenhas entendido o sentido real do texto e minha opinião explícita no mesmo. Abraço.

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    2. Eu sempre entendo seus textos. É tanto que reli e meus argumentos parecem intocáveis. Apenas temos em alguns aspectos pontos de vista diferentes e espero que isto seja aceito de bom grado. Considero importante a formação no magistério, tanto quanto em qualquer outra profissão. Levo a sério publicações cientificas de colegas, teses de mestrado, artigos que você pública, experiências bem sucedidas, enfim, aspectos teórico-práticos que dêem sustentação à prática pedagógica e, sem querer especificar atribuições do profissional professor, neste particular, subentende-se que ele está capacitado, age fundamentado e intencionalmente, diferente de quem apenas se propõe a educar. Educar para quê? Pais podem educar seus filhos somente em casa, mas onde fica, por exemplo, o processo de socialização? Quem garante que daí não sairá verdadeiros monstros? Mas, educa!

      Como disse no meu comentário, a profissão professor exige uma formação humanista. Eu já havia dito isso antes: não consigo pensar num profissional da educação que não acolhe destoante assim de uma formação humanizadora. Isso deve ser levado em conta aqui. É possível aceitar as duas nomenclaturas, professor e educador? Sim! Desde que estejamos falando de termos atribuídos a um mesmo Profissional, onde o conceito de professor só soma, mas não subtrai ou divide. O fato de fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo me torna um profissional competente ou um profissional relapso, mas não deve ser visto como se o exercício legal da profissão me permitisse fazer essas escolhas de determinadas atribuições. Espero que eu tenha sido compreensível. Abraço!

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    3. Eu sempre entendo seus textos. É tanto que reli e meus argumentos parecem intocáveis. Apenas temos em alguns aspectos pontos de vista diferentes e espero que isto seja aceito de bom grado. Considero importante a formação no magistério, tanto quanto em qualquer outra profissão. Levo a sério publicações cientificas de colegas, teses de mestrado, artigos que você pública, experiências bem sucedidas, enfim, aspectos teórico-práticos que dêem sustentação à prática pedagógica e, sem querer especificar atribuições do profissional professor, neste particular, subentende-se que ele está capacitado, age fundamentado e intencionalmente, diferente de quem apenas se propõe a educar. Educar para quê? Pais podem educar seus filhos somente em casa, mas onde fica, por exemplo, o processo de socialização? Quem garante que daí não sairá verdadeiros monstros? Mas, educa!

      Como disse no meu comentário, a profissão professor exige uma formação humanista. Eu já havia dito isso antes: não consigo pensar num profissional da educação que não acolhe destoante assim de uma formação humanizadora. Isso deve ser levado em conta aqui. É possível aceitar as duas nomenclaturas, professor e educador? Sim! Desde que estejamos falando de termos atribuídos a um mesmo Profissional, onde o conceito de professor só soma, mas não subtrai ou divide. O fato de fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo me torna um profissional competente ou um profissional relapso, mas não deve ser visto como se o exercício legal da profissão me permitisse fazer essas escolhas de determinadas atribuições. Espero que eu tenha sido compreensível. Abraço!

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    4. Prezado professor, agredeço sua análise pessoal do meu singelo texto, mas reservo-me ainda a resguardar minha opinião inicial. Reconheço a importância da teoria e prática na vida profissional, elas duas são essenciais no processo de formação. Sustento esse ponto de vista até agora, não por orgulho ou falta de humildade, mas porque não encontrei argumentos consistentes para mudar de ideia. Esses dias estava discutindo esse mesmo artigo, que saiu no Diário de Natal nessa sexta, com o grande professor Celso Vasconcelos, mas continuo irredutível, até que me convençam efetivamente. Um grande abraço e continuemos nesse caminho tão belo - que nem sempre é de acordo - da Educação. Tenho certeza de que sendo professor ou educador, és um ótimo profissional.

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  3. Exatamente, Samuel. O educador é aquele que, além de dá a matéria, se preocupa com os seus educandos, estimulando-os e orientado-os para questões de sua vida prática.

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  4. Boa discussão. Na prática eu vejo claramente a distincão. E não acho que formacão técnica preste-se a humanismos. E a formacão em massa e deficiente, pois rápida para atender ao neoliberalismo, só piora o quadro.

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