APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

TÚMULOS DO ALÉM - Nailson Costa




TÚMULOS DO ALÉM”

CENÁRIO: SOZINHO NO PALCO (PROVAVELMENTE UM BAR) E SENTADO EM UMA
CADEIRA, DEBRUÇADO SOBRE A MESA ESTÁ O POETA, MUITO TRISTE A RECITAR O
POEMA PSICOLOGIA DE UM VENCIDO.
POETA: Eu, filho do carbono e do amoníaco / Monstro de escuridão e rutilância,
/ Sofro, desde a epigêneses da infância, / A influência má dos signos do zodíaco. /
Profundíssimamente hipocondríaco, / Este ambiente me causa repugnância ... / Sobe-
me à boca uma ânsia análoga à ânsia / Que se escapa da boca de um cardíaco. / Já o
Verme – este operário das ruínas - / Que o sangue podre das carnificinas / Come, e
à vida em geral declara guerra, / Anda a espreitar meus olhos para roê-los, / E há de
deixar-me apenas os cabelos, / Na frialdade inorgânica da terra.

APARECE REPENTINAMENTE UMA MULHER NOVA E MEIO TAGARELA. ELA PÁRA
COM UM JEITO DE REPROVAÇÃO OLHANDO PARA O POETA E APONTANDO PARA
O PÚBLICO E PERGUNTANDO: Esse cara aí (AGORA APONTANDO PARA O

POETA) é doido ou o cigarro paraguaio queimou seus neurônios?

ENTRA DE VEZ O PROFESSOR E REPREENDE A MULHER: Nenhuma das alternativas,
minha filha. Esse cara aí é o Poeta, filho do amoníaco e do carbono.

MULHER: Filho de quem? Eu pensei que todos os humanos tivessem um pai e uma
mãe de carne e osso, como nós.

PROFESSOR: Na verdade, ele é tão humano quanto nós. É que ele não é dado às coisas
da religião, ele é ... assim... como é que eu digo .... mais ligado às ciências, ele é
meio ateu.

POETA: ah, ah, ah, hummmm, hummm.

MULHER (ESPANTANDO-SE E BENZENDO-SE): Ele tá é bebo, tá, bichim?!

PROFESSOR: Não! Ele não é chegado à bebedeira. Ele é uma pessoa assim mesmo,

pessimista, triste e desencantado da vida. O seu único livro publicado, EU, tem
escandalizado a sociedade inteira, que é chegada mais aos poemas românticos, sem
palavras grosseiras como “verme, escarro, miserável etc”.

MULHER: Viche, só por isso!? (DIRIGE-SE AO POETA MEIO ASSUSTADA,
PÕE, DEPOIS DE ALGUMAS TENTATIVAS, A MÃO EM SEU OMBRO): Psiu,
seu Poeta, fique tristinho não, vice. A vida é assim mermo. Um gosta, outro num
gosta. Eu não vi seu livro ...

(O POETA BRUSCA E RAIVOSAMENTE TOMA A PALAVRA E GRITA SEU
POEMA “VERSOS ÍNTIMOS”): Vês?! Ninguém assistiu ao formidável / Enterro de
tua última quimera. / Somente a Ingratidão – esta pantera - / Foi a tua companheira
inseparável! / Acostuma-te à lama que te espera! / O Homem, que, nesta terra
miserável, / Mora, entre feras, sente inevitável / Necessidade de também ser fera. /
Toma um fósforo. Acende teu cigarro! / O beijo, amigo, é a véspera do escarro, / A
mão que afaga é a mesma que apedreja. / Se a alguém causa inda pena a tua chaga, /
Apedreja essa mão vil que te afaga, / Escarra nessa boca que te beija!

MULHER (BENZENDO-SE): Minha santa do macaco gago, agora que não entendo
mais nada!

PROFESSOR: É um soneto belíssimo, aquele formado por dois quartetos e
dois tercetos. Estilo clássico de se fazer poesia. O poeta misturou a beleza dos
versos decassílabos, a categoria de palavras científicas e a grosseria de palavras
não poéticas e traçou para si e para o ser humano a perspectiva de um destino
inescapável, um caminho de sofrimento e dor. É “A influência má dos signos do
zodíaco”; “Profundíssimamente hipocondríaco. Ele é realmente niilista.

MULHER: Ni .. o quê?

PROFESSOR: Niilista, isto é, negativista.

MULHER: Pois, seu bichim, eu conheço lá das minhas terra, Santa Cruz do Inharé,
lá no Trairi dos cafundó do RN, um poetero danado de bom. As poesia dele é assim
aparecida com essas desse doido aí (APONTANDO PARA O POETA). Só que o
meu conterrano santacruzense é munto esperto, irônico, cômico e num qué morrê não
sinhô. Brinca tão bem com o palavriado que num sei pru quê num é famoso como
esse aí? É o Mago do Além-Túmulo.

PROFESSOR: Magro? Ele é magro?

MULHER: Mago, seu bichin, ele é magro também.

PROFESSOR: Gostaria de conhecê-lo!

MULHER: Apoi lá vem ele aí. (ENTRA CORRENDO O POETA MAGO DO
ALÉM-TÚMULO E CORRENDO ATRÁS DELE A MORTE E O VERME, QUE
FAZEM UM BARULHO ENSURDECEDOR COM SUAS RISADAS)

MORTE: Ah, ah, ah, ah, quem quer morrer, ah, ah, ah, quem quer morrer? (OLHA
PARA O PÚBLICO E FAZ A MESMA PERGUNTA).

O MAGO POETA DIRIGE-SE À MORTE: Oh! Morte severa / tu levas /
Embalagens de rosas, / Pedaços de velas pras larvas / Das valas megeras. / Oh! Morte
indomável, / Tu trazes / No teu manto negro, Bocado de dores / E espalhas nos vivos
/ Diversos temores. / Oh! Morte malvada, / Martírio dos viventes, / Interruptor de
toda luz, / Hás de ter também um dia / Como todos têm por moradia, / Uma cova
fincada de cruz.

POETA LEVANTANDO-SE ADMIRADO E DIRIGINDO-SE À MORTE E AO
MAGO POETA: Aqui morreram tantos poetas! Tanta / Guitarra morta este lugar
encerra!... / Aqui é o Campo-Santo, aqui é a Terra! / Em que a alma chora e em que a
Saudade canta!

PROFESSOR: Um belo encontro de poetas...
MAGO: Somente esta rubra angústia, / Conseqüência de meus remorsos, / Troféus
de minhas astúcias, Incrustados nos meus ossos, / Me faz odiar a vida, Me faz amar
a morte, Que não sendo entrada ou saída / Porá fim nesta má sorte. / Amei – não fui
correspondido, / Ajudei – fui perseguido, Sinto agora sensações estranhas, / Algo
entre o Eu e os não-Eus, / Algo como o teu Deus / Brotando de minhas entranhas.

MORTE ROSSANDO O MAGO, CHEIRANDO E BEIJANDO. O VERME
MORDENDO AS ROUPAS DO MAGO.

MULHER ( COM A CARA DE DEBOCHE): Hummmm, ta expricado... o Mago
teve foi desilusão amorosa e qué morrê.

MORTE O TEMPO TODO QUERENDO PEGAR ALGUÉM.

PROFESSOR DIRIGINDO-SE À MULHER: Os poetas não fazem poesias deles
mesmos, eles criam personagens, que são os “eus-líricos”.

MULHER ACENDENDO UM CIGARRO.

PROFESSOR: Não, não! Não faça isso. O fumo, além de lhe fazer mal, prejudica
muito mais aos que respiram sua fumaça.

MORTE E VERME: Fuma, fuma, fuma, fuma. Só esse, vai. Só esse.
Fuuuuuummmmmaaaaa, ah,ah, ah, ah.

PROFESSOR: Os fumantes são vivos-mortos.

MAGO: Fui ao cemitério / No dia do finado mistério / E lá encontrei os vivos /
Chorando os seus mortos. Eu porém chorei os vivos / Porque eram todos vivos-
mortos / Esperando uma passagem / Para eterna viagem / Dos mortos-vivos, / Dos
vivos-mortos.

POETA: Tenho uma idéia feliz, / Que em meu juízo trabalha, / Proponho que este
nariz (APONTANDO PARA O PRÓPRIO NARIZ) / Seja cortado a navalha. / Tenho
uma idéia feliz / Que em meu juízo trabalha.

MORTE E VERME OLHANDO PARA O PÚBLICO: Agora mesmo. Até que enfim,
alguém falou uma coisa que preste aqui, ah, ah, ah, ah. (VERME MASTIGANDO

SEMPRE, FAZENDO BARULHO COM A BOCA E MASSAGEANDO A
BARRIGA).

MULHER ( DIRIGINDO-SE AO PÚBLICO): O Eu dele é malcriado, e de mau
gosto.

PROFESSOR (DIRIGINDO-SE À MULHER): Só à primeira vista. Na verdade
aqueles que assim pensam, ainda estão apegado à estética parnasiana.

MULHER: (COSSANDO A CABEÇA): Danou-se, agora o professor também tá
variando.

ENTRAM REPENTINAMENTE CANTANDO E MEIO
MIGUEL E GABRIEL, DOIS EX-ALUNOS DO POETA.

GABRIEL: peraí, peraí, peraí. parô, parô, parô. Migué, aquele véi ali num é o
professor abusado, o poeta filho do carbone e do amonico?

MIGUEL: (MENOS BÊBADO DO QUE SEU COLEGA): É Gabriel. É grande
poeta, nosso professor nos tempos do ensino médio.

GABRIEL (EMPURRANDO A MORTE E O VERME QUE INSISTEM EM
CHEIRÁ-LOS): Sai pra lá podridão! Quem são esses cara aqui, Migué?

MIGUEL: São os personagens preferidos do Poeta, que saem sempre de seus poemas
quando o Poeta está em crise. Para ele, vocábulos como hospitais, necrotérios,
hospitais, cadáveres, verme, escarro, vômito, lama, putrefação ...

GABRIEL (INTERROMPENDO): Puta o quê?

MIGUEL: putrefação (mau cheiro de cadáver em decomposição). Ele também usava
palavras de cunho científico. Foi uma revolução para a sua época, início primeira
década do século XX. Era o Pré-Modernismo anunciando o Modernismo nas artes.

GABRIEL: Migué, mai essas peste aí viérum cum esse outro aqui. (APONTANDO
PRIMEIRO PARA A MORTE E PARA OVERME, DEPOIS PARA O MAGO)

MIGUEL: É. Os poemas do livro dele “Viagens ao além túmulo” também tem essa
temática. Aliás, Gabriel, você se lembra quando estudávamos no ensino médio e que
a diretora reclamou com o professor de Literatura porque este trabalhava os poemas
de poetas de sua cidade? Ela queria que o professor trabalhasse só os poetas famosos,
aqueles que caem no vestibular.

MULHER: Ah!... lá em Santa Cruz a diretora da escola de Zé Bufinha, meu fie mai
véi, brigou com o professor pelo mermo motivo.

PROFESSOR: É uma pena! Os famosos de hoje foram os anônimos de ontem. É
preciso que os professores valorizem a cultura de sua cidade, o que ela tem de bom.

GABRIEL: Num tem outro assunto mió do que esse não? Vamo falá de zuera, avião
do forró, vaquejada, cachaça e muié pelada!!

MIGUEL: Calma, Gabriel, você só pode estar doente!

VERME (CHEIO DE GRAÇA): Ai, como é linda a doença. Como é moderna a
AIDS, quanta arte eu vejo na prostituição, quanta delícia tem a cocaína, a maconha.
A cachaça é chiquésima ao volante. Quanta terra fértil há aqui.

GABRIEL (GRITANDO): Viva a birita!!

MORTE E VERME (JUNTOS): Vivaaaa!!! Quer dizer vocês (APONTANDO PARA
TODOS) morraaaamm!! (DIRIGINDO-SE PARA GABRIEL): Você é um anjo,
Gabriel!

MAGO: Já disseram tudo, / Já definiram tudo, / Resta-me ser poeta / Amante do
nada. / O que desejo agora / É por todos indesejada, / Mas se todos desejam tudo / Eu
ficarei com o nada. / O poeta, com pouco se contenta, / Para o poeta ter nada não é
absurdo, / Absurdo é ter tudo / E não contentar-se com nada. / Ao poeta cabe sentir
/ As cinco sensações do nada. / O poeta é repleto de tudo, / Pois TUDO se acaba em
NADA.

VERME (ESTILO TIRIRICA) Ele qué morreêê. (ALISANDO O MAGO) Se bem
que eu prefiro um mais gordinho!

POETA: Como porções de carne morta ... Ai! Como / Os que, como eu, têm carne,
com este assomo / Que a espécie humana em comer carne tem! ... / Como! E pois
que a razão me não reprime, / Possa a terra vingar-se do meu crime / Comendo-me
também.

VERME (ATIRANDO-SE EM CIMA DO POETA, MAS SENDO ESPANTADO
PELOS DEMAIS) : Eu como, eu como, eu comoooooooo.

MULHER (SAINDO).
PROFESSOR (DIRIGINDO-SE À MULHER) : Pra onde você vai?

MULHER: Vou sair daqui. Só tem doido. (MORTE E VERME CERCANDO A
MULHER E MULHER DIZENDO): sai daqui, podridão. Vou para um lugar onde as
coisa seja mai boa de se ver.

ENTRA NA SALA DUAS GAROTAS CARREGANDO UM ISOPOR COM OS

DIZERES “POESIA DA 1ª GERAÇÃO DO ROMANTISMO BRASILEIRO”
E
RECITANDO O POEMA “CANÇÃO DO EXÍLIO”, DE GONÇAVES
DIAS: “Minha terra tem palmeira, onde canta o sabiá (...).

PROFESSOR: Essa poesia é de cunho nacionalista, escrita em 1842 pelo poeta
Gonçalves Dias. Foi apresentada em Coimbra, Portugal. Ela foi uma das primeiras
tentativas de divulgar o nosso país na Europa e criar uma identidade nacional. Aliás,
trechos seus foram, mais tarde, tomados emprestados por Osório Duque Estrada, para
compor o nosso atual hino nacional.
MULHER: A minha terra também tem um cantin bom como esse.

ENTRAM OUTRAS DUAS GAROTAS CANTANDO O POEMA “TERRA
QUERIDA”, DE FABIANO & FRANKLIN: Oh, gente, que terra boa tem aqui /
Quanta fartura, tanta beleza, meu Trairi / Santa Cruz hospitaleira, cidade luz soberana
/ Santa Rita padroeira / Todo povo se ufana / Santa Cruz das vaquejadas, das noites
de seresteiros / Santa Cruz com seus açudes, seus passeios domingueiros / Do banho
bom, do Alívio / E da piscina do Umbuzeiro.

PROFESSOR (BASTANTE ENTUSIASMADO): Que belo, belíssimo!!!

MULHER: É, professor. A minha terra tem coisa boa tumém. Isso aí é de dois
poetero de lá. Fabiano & Franklin. Tudo que o sinhô diche aí pra essas duas aí selve
pra essas duas aqui.
POETA DÁ UM GRANDE GEMIDO: Ahhhhhhhhh.

MIGUEL( DIRIGE-SE AO POETA) : Poeta, não fique triste não. Saiba você que
todos os amantes da literatura brasileira tem-lhe uma grande admiração.

GABRIEL: Esse véi aí sempre foi essa pessoa. Sempre disse que um tal urubu
pousava na sorte dele.

POETA (APONTA UM OBJETO PARA A MORTE): Tome, Dr., esta tesoura, e ...
corte / Minha singularíssima pessoa. / Que importa a mim que a bicharia roa / Todo o
meu coração, depois da morte?!

VERME ATIRANDO-SE EM CIMA DO POETA, MAS SENDO ESPANTADO
PELOS DEMAIS): Obaaaaa! Obaaaaa!

GABRIEL (ERGUENDO UMA GARRAFA DE PINGA): Dê uma bicada pra ele
espaiá o sangue.

MORTE E VERME (GRITANDO): Sangue, sangue... é .... é bom mesmo.

MIGUEL (TENTANDO ACALMAR AS COISAS): Calma, gente. O Poeta curte a
vida a seu modo. Ele tem verdadeiros orgasmos ao externar seu profundíssimamente
niilismo.

GABRIEL: Lá vem Migué dá uma de intelectuá. (OLHANDO PARA O MAGO):
Quem é esse magão aqui?

VERME: É minha sobremesa de daqui a pouco.

MIGUEL: Pelo que me disse o professor, é uma espécie de pupilo-mor seguidor
do Poeta. É um poeta também. Seu pessimismo, na verdade, é a mais perfeita sátira
subjetiva dos substratos líricos do grande mestre.

GABRIEL: (SEM ENTENDER NADA E TOMANDO UM GOLE): Agora
entrou o resto!!! Eu gosto mermo é de beber (TOCA A MÚSICA DE FERRO
NA BONECA “BEBO PRA DORMIR, ACORDO PRA BEBER” E GABRIEL
ENLOUQUECE COM OS MUNGANGOS DANÇARINOS DELE).

MIGUEL: Gabriel, mais respeito! Estamos diante de dois grandes poetas!

GABRIEL (APONTANDO PARA O MAGO): Esse aqui eu nunca vi!

MIGUEL (ANGUSTIADO): Claro, os grandes poetas de Santa Cruz não recebem
incentivo governamental. Suas obras são auto-financiadas.

MAGO (PARA O GABRIEL): Não adormecerei num túmulo, / Te incomodarei ao
cúmulo / Com meu vômito de palavras, Escravas do teu não querer. / Te farei sofrer
lançando mágoas / Nas águas amargas do Trairi. Tu beberás sofregamente / toda
pungente, / Líquido do amor inconseqüente / Que vivi.
MORTE E VERME JUNTOS: Agora esse povo só fala em vivi, vivi,vivi. Num custa
nada voltar em falar em morri, morri, morri, é mais gostoso de se ouvir. (OLHANDO
PARA O PÚBLICO E DIZENDO BEM ALTO E ESTÚPIDO): Não é?????!!!!

PROFESSOR: esse povo de hoje só pensa forró, orkut, bate-papo. A literatura está
condenada.
POETA (OLHANDO-SE NUM ESPELHO): Ah! Como tu, em lodo tudo acaba, / O
leão, o tigre, o mastodonte, a lesma, / Tudo por fim há de acar na mesma / Tênebra
que sobre ti desaba.

MORTE E VERME (DIZENDO JUNTOS E SE MOSTRANDO FELIZES): Ai
como é bom ouvir o poeta.

PROFESSOR (DIZENDO BEM ALTO A TODOS) Caros amigos, ninguém nunca
morre quando se é eterno em nossos corações. Os poetas Augusto dos Anjos e
Marcos Cavalcanti estarão eternamente vivos, nunca virarão lama, nunca estarão
putrefados, nunca se acabarão. A arte literária, e todas as outras artes não são
formadas apenas pelos bens materiais, nelas há também essências de vida que
transcendem o eterno, e por isso, são imortais, juntamente com seus artistas. Viva a
literatura de Santa Cruz! Viva a literatura brasileira!

(MORTE E VERME CHORAM, MUITOS APLAUSOS DE TODOS E A
CORTINA DESCE)

Autor Nailson Costa