APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

O PODER DOS ELEFANTES


                A cada dia fica mais difícil o ser humano se tornar elefante. Os elefantes possuem o controle dos meios de comunicação. Para mostrar poder, recentemente transmitiram uma chocante cena onde manifestantes eram esmagados por patas. Nossa comida ficou prejudicada por esse esmagamento. Nada disso importa para quem se alimenta de folhagens. 
             Outras cenas chocantes foi ver a união dos elefantes internacionais. Eles apoiaram os elefantes daqui com vista a defender o capim internacional. Usaram mensagens mentirosas e imagens distorcidas para denegrir o movimento reivindicatório. Venceram pelo cansaço. Pobres humanos. Precisam de gás para colocar a comida no estômago enquanto os elefantes conseguem in natura. 
          Como os dinossauros, os elefantes precisam ser extintos do planeta para que os seres humanos possam viver em paz. Enquanto eles estiverem no poder, só nos resta gritar, chamá-los de desumanos, mas nunca dizer que são deselefantes. Eles são unidos. Lutam por seus ideais e defendem a manada a qualquer custo. Mas não se amam. 
          Os elefantes menores ocupam cargos privilegiados e ficam satisfeitos por nunca faltar leite para seus filhotinhos. Alguns elefantes comandam outros nas tropas de choque. Em cada Estado há um elefante que é eleito por seres humanos para massacrá-los. É interessante como os elefantes conseguem convencer os humanos a votarem em outro ser que não seja da sua espécie. Acredito que isso acontece porque todos os elefantes na época da eleição usam a tromba para acariciar os domesticados humanos. Jamais utilizam suas presas de marfim para matá-los nem suas patas para esmagá-los.  Falam mal de outros elefantes com objetivo de conseguir apoio nas urnas. Dão-nos falsas esperanças para mais quatro ano de patadas, trombadas e espetadas. Eles sabem que nunca iremos entender suas artimanhas. São inteligentes, isso ninguém pode negar. Sua inteligência é proporcional ao seu tamanho e a utiliza para se manterem confortáveis.
        Os olhos elefantídeos nos observam dia e noite através da audiência dos seus berrosjornais. Utilizam bramidos, trombeteios e sons idiossincráticos para nos manter submissos. São muito competentes no que fazem. Sabem nos manter escravizados por longos períodos. O pior é que eles não se envergonham de ser elefantes. Não têm religião para domesticá-los, apenas fingem que têm. Não amam seus semelhantes, apenas se suportam por conveniência. Quando um deles quer roubar o capim do outro, não hesitam... matam! 
          Os paquidermes mais poderosos estão utilizando algo que inventaram para o ser humano: a cadeia. Muitos estão enjaulados porque elefantes pertencentes à outra esfera de poder assim decidiram. Mas será por pouco tempo. Há um consenso entre eles que precisam abolir essa punição. Até já combinaram para não usar algemas em elefantes. Só em seres humanos. Com frequência, elefantes estão ficando em prisões domiciliares com o objetivo de sensibilizar os seus eleitores que existe igualdade na lei. 
         Fofoqueiros, cafajestes, corruptos e hipócritas, os elefantes adoram manipular os humanos. Enquanto os seres humanos pensam em arte, empatia e altruísmo, os elefantes, em poder. Vinte e quatro horas por dia planejando como massacrar os serem desprovidos de inteligência racional, os humanos. Por isso que dá certo. Podem chamá-los de ladrão que eles adoram. É um elogio. O reconhecimento do que realmente são. Nesse momento seu ego é inflado em silêncio.
          O sonho da maioria dos seres humanos é se transformar em elefante, mas nem todos conseguem. O primeiro passo é pensar como elefante. Aprender a si vender. Fingir-se de bobo. Só assim, tromba e presas crescem. As pesadas patas irão sendo acrescidas com a prática nos palanques. Os berros precisam ser prolongados por anos para que os humanos possam reconhecê-los quando àquele elefante pregar uma ideia. 
Os caminhos são vários. Desde religião até associações e sindicatos. Mas o ser humano que pretender chegar rápido a esse clube corporativista precisa ter diversas folhagens armazenadas. Os elefantes adoram cana de açúcar na sua dieta. Quem conseguir mantê-los alimentados por mais tempo consegue o apoio de todos.
             Só não é permitido que um elefante de segunda classe queira liderar a manada. Se isto acontecer, o traidor irá para a cadeia escrever livros, assistir televisão e tomar remédio tarja preta.  

Autor: 

Natal/01.06.2018