APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


domingo, 7 de julho de 2013

Refletindo sobre o Marketing Multinível-MMN – A quem incomodar possa (Parte II) - Roberto Flávio


O confronto com os monopólios econômicos

            Compreendo que o MMN pode muito bem ser enquadrado dentro da uma perspectiva empreendedorista, seja ela individual ou empresarial. Tomo como referência para esse raciocínio a conceituação dada por Robert D. Hisrich (Phd, especialista de renome mundial em empreendedorismo e autor). Segundo Robert Hisrich, “empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal”.
            Por outro lado, também nessa visão, penso que a evolução e a legalidade da atividade do MMN no Brasil é algo que estremece as várias estruturas monopolistas de nosso país: o sistema financeiro, o sistema de comunicação e mídias, os monopólios industriais ou comerciais, etc. Tudo leva a crer que, realmente, o MMN está incomodando todas as formas de manipulação e concentração de riqueza da nossa pátria amada.
            Tenha-se como exemplo desse poderio o fato de que no ano de 2012, segundo publicação “online” da Revista Exame, os 13 maiores bancos do nosso país lucraram o total de quarenta e oito bilhões novecentos e trinta e oito milhões e trezentos mil reais. Acrescente-se a essa quantia o lucro de seis bilhões e cem mil reais obtido pela Caixa Econômica Federal (que não possui ações na bolsa). Lucros líquidos, amparados pela ordem financeira e com o devido sustentáculo jurídico-político do Estado.
             Carteiras de crédito em crescimento, juros e taxas abusivas: essa é a tônica. O brasileiro está endividado como nunca. Cartões de crédito, financiamentos de veículos, de habitação, cheques especiais, créditos consignados, adiantamentos salariais, entre outros tantos, são o cardápio principal dos bancos e financeiras.
A realidade atual do mercado é essa: o brasileiro tem buscado o crédito para pagar dívidas, ou melhor, contrai uma dívida para pagar outra dívida.  O crédito consignado é o que mais se destaca como crescimento neste ano. Muitos são os lucros obtidos pelos bancos com o consignado, além do fato de seu pagamento ser descontado em folha salarial. O consignado tornou-se um mal necessário. É uma solução, ao passo que também se traduz numa praga que ataca o funcionalismo público e praticamente a todos os aposentados dessa nação.
Mas, voltando-se para o MMN, estruturado como tal, as pessoas começam a enxergá-lo como uma saída para investir, melhorar de vida, poupar e também quitar determinadas dívidas. Servidores públicos, pequenos comerciantes, comerciários, autônomos e até aposentados do INSS aderiram a essa novidade. Um verdadeiro empreendedorismo contagiou a muitos.
Os paradigmas do retorno de investimentos foram quebrados e é aqui onde está o cerne da questão que tanto tem perturbado os monopólios financeiros: lucro não é para ser repartido entre muitos, riqueza tem que ficar nas mãos de poucos e cada negócio radicalmente inovador pode ser um ameaça à ordem estabelecida.
Agora, em nome da legalidade e da defesa do consumidor, todo o “sistema” dissemina a idéia de que tudo isso é dinheiro fácil, que não passa de uma pirâmide financeira e todos serão simplesmente enganados (é certo que o mercado depois também vai separar o joio do trigo, e o que realmente for MMN sobreviverá).  

Para reflexão: "Alguns homens vêem as coisas como são, e perguntam: Por quê?. Eu sonho com as coisas que nunca existiram e pergunto: “Por que não”?". (George Bernard Shaw)

João Pessoa, 04/07/13.                  Roberto Flávio Dias Câmara