terça-feira, 17 de julho de 2012

ENCONTRO DO INTELECTUAL COM O MATUTO SABIDO - Marcelo Pinheiro


 
O ano era 1985. Sócrates, de tanto ouvir falar de um matuto sabido que habitava o alto sertão da Paraíba, resolveu encontrá-lo. No final de um dia de céu sem nuvens ele chegou à cidadezinha encravada entre rochas e espinhos na microrregião de Catolé do Rocha. O sol, como uma grande brasa desbotada e tímida, se escondia atrás dos últimos cactos do horizonte. Ele enfiou a mão no bolso e pagou alguns bons cruzados ao taxista pela viagem.

Levantou-se ao raiar do dia depois de uma noite mal dormida, tomou o fraco café oferecido pela pequena pousada e se dirigiu à casa do matuto sabido.

Zé de Dona Luzia estava sentado da soleira da porta da frente, rabiscando, sabe-se lá o que, numa folha de um caderno já muito usado, quando foi abordado por Paul:

- Bom dia! É você o sabido Zé de Dona Luzia?

- Sou sim, Zé de Dona Luzia, mas desconheço a tal fama de sabido. Sente-se, o alpendre é todo seu – respondeu o matuto, apontando para um tamborete.  Qual é sua graça e que ventos o trazem aqui?

- Chamo-me Sócrates, sou poeta e crítico literário. Já li os clássicos, Kafka, Dostoievski e Spinoza, dentre muitos outros. Gosto de música clássica, especialmente de Vivaldi, Bach, Handel, Mozart e Beethoven. Já viajei o mundo, conheço Paris, Londres, Pequim e mais uma centena de cidades importantes – disse o intelectual com um ar de superioridade e na certeza de que ao matuto era impossível ser tão sábio quanto ele.

Sem se impressionar muito com tanta erudição, o matuto falou:

- As cidades mais distantes que conheço é Belém e Bayeux.

- Ah, conheço Belém, é uma cidade importante – devolveu o intelectual. Para muitos cristãos foi lá onde nasceu Jesus Cristo. Também já visitei Bayeux, é uma bela cidade francesa situada na região da Baixa Normandia.

- Não, falo de Belém do Brejo do Cruz, aqui mesmo no sertão paraibano e Bayeux da Zona da Mata, perto de João Pessoa. Quanto aos nomes que citou, conheço esse povo todo, mas gosto mesmo é de Guimarães Rosa, Augusto dos Anjos – paraibano como eu -, Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga. É que não gosto muito de “gente grandona demais”; geralmente são pessoas menos do que tentam aparentar – explicou Zé, já percebendo o espírito de grandeza e ar de superioridade do intelectual. Aqui mesmo em Jericó tem uns dois ou três metidos a besta. Leram alguns livrinhos e por isso se acham parte de uma elite intelectual dominante. Coisa de gente besta. Para mim, a essência do conhecimento é a humildade: a pessoa saber que de nada sabe é o começo de tudo.

O “intelectual” ficou meio desconfiado e sem explicar a que viera, saiu de fininho, desconfiado. Quando Sócrates tomou certa distância, Zé comentou com Dona Luzia, sua mãe: incrível, só eles não percebem o quanto são ridículos!

29 comentários:

  1. Este Sócrates é bem diferente daquele a quem tanto admiramos, não é mesmo?

    Boa reflexão.

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  2. Maravilha Marcelo, ganhei meu dia com essa.

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  3. Lindonete Câmara17 de julho de 2012 12:16

    Talvez esse Sócrates,Gilberto,além da "intelectualidade" aparente, seja um portador do tão conhecido transtorno da personalidade narcisista. rs

    Muito bom,Marcelo.

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  4. Marcos Cavalcanti17 de julho de 2012 12:58

    Gil, o filósofo Sócrates, de quem conhecemos alguma coisa em virtude de Platão, fazia no seu tempo, algo muito parecido, pois indagava às pessoas nas ruas sobre o que elas realmente conheciam sobre este ou aquele assunto. Também nos banquetes de que participava, assim procedia, e o seu método filosófico consistia em, pelo seu próprio pensamento, partindo de uma afirmação qualquer de seu interlocutor, levava-o a compreender que o que ele (seu interlocutor) afirmava, não se sustentava. O que para alguns poderia ou pode parecer uma humilhação infligida ao outro. No entanto, Sócrates apenas conseguia que o indivíduo partindo de uma noção ou afirmação A (premissa falsa para Sócrates) chegasse a uma noção B (premissa talvez verdadeira, digo talvez porque cada qual de seus leitores que julgue a validade do argumento socrático) da qual o seu próprio interlocutor, pela força do argumento, se convencia. Então, na realidade, não se tratava de uma humilhação, ambos tinham as mesmas armas, a menos que o interlocutor revelasse uma arrogância em seu pretenso conhecimento, ou o próprio Sócrates, um e outro dizendo-se detentor de uma verdade irretocável. É muito parecido também com o que faz um professor em sala de aula ao ministrar aos seus alunos, conhecimentos admitidos pelas ciências humanas. Por vezes, com os alunos, muito aprendem.
    O conhecimento em si, não tem nem pode ter uma característica propriamente humana, ele é sim, fruto da experiência humana em interação com o meio, ou para ser mais amplo, com o cosmos, ou seja, nem é arrogante nem humilde em si mesmo. De igual modo, não encontramos na pedra, numa paisagem ou numa formiga, este atributo.
    Um dado conhecimento (conceito, teoria, tese, etc) tido hoje como válido, pode ser perfeitamente questionado e superado pela experimentação, no porvir. Eis aí a “humildade” da filosofia e da ciência (pensamento filosófico ou pensamento científico), sobretudo, desta última. O contraste com a religião é evidente, mesmo que nesta, os preceitos assessórios, dogmas, possam ser revistos, mas o principal, não, este é intocável. Assim, o conhecimento só pode ser falso ou verdadeiro (e sempre por uma convenção humana, mesmo no que tange à física, à matemática e outras ciências, como a história delas mesmas nos dá prova).
    Dos dois personagens, quem demonstrou humildade? O Sócrates “intelectual” que sabendo da existência de um “sabido” um tal Zé de Dona Luzia, vai ao encontro deste para testar o seu conhecimento, ou o sabido Zé de Dona Luzia, que depois de um simples diálogo com o intelectual, diz que gente como aquela é ridícula? Sinceramente, não consigo distinguir qual dos dois seja mais ou menos arrogante nem quem tenha mais ou menos conhecimento. As atitudes, simplesmente, os revelaram.
    E por fim, quanto ainda a questão do conhecimento, creio que dos mais de 7 bilhões de seres humanos existentes no planeta, não haja um único, sequer, com o mesmo nível ou grau de conhecimento. Se houver instrumento ou questionários mil para aferi, que afiram.

    PS: Texto com o Zé certo, Gilberto.

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  5. Prefiro aqueloutro a este. E a frase "Só sei que nada sei" revela a sua grandeza intelectual. Parabéns pelo texto, Marcelo. Queremos mais!

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  6. Marcos, no meu texto não estou a questionar o método socrático, que tem como escopo a busca do conhecimento através do diálogo e da reflexão. Esse processo de investigação filosófica de que Sócrates fazia uso tinha como finalidade a busca da verdade e do próprio conhecimento.
    A historinha que criei não se propõe a discutir a efemeridade do conhecimento científico ou a validade do supracitado método, mas a demonstrar que alguns valores humanos como humildade, simplicidade e o respeito às limitações do interlocutor estão, em grau de importância, acima de quaisquer pretensões de desenvolvimento do saber.
    Perceba que o “Sócrates” do texto é portador de uma empáfia repugnante quando invoca seu importante conhecimento (...Kafka, Dostoievski, Spinoza ... Vivaldi, Bach, Handel, Mozart e Beethoven ... Já viajei o mundo, conheço Paris, Londres, Pequim.) para demonstrar superioridade e destilar sua arrogância em relação ao matuto (“... com um ar de superioridade e na certeza de que ao matuto era impossível ser tão sábio quanto ele.”) que RECUSOU o título de sabido (“Sou sim, Zé de Dona Luzia, mas desconheço a tal fama de sabido.”).
    Segundo Platão, Sócrates, o verdadeiro, adotava como lema de sua jornada em busca do conhecimento a máxima “só sei que nada sei”. É que Sócrates, o verdadeiro, assim como o matuto Zé de Dona Luzia, já naquela época, entendia que a humildade de admitir a própria ignorância é a premissa maior de toda a busca do conhecimento. Quando o matuto afirma “a pessoa saber que de nada sabe é o começo de tudo.” ele está muito mais próximo de Sócrates, e de seu método, do que o “intelectual” arrogante que pensa ser conhecedor de todas as coisas e faz uso de uma coisa importante (conhecimento) para se autopromover, ampliando a própria imagem para o mundo.

    Resumindo, o que se está, de forma pueril, a analisar neste pequeno texto são as diferenças de posturas que as pessoas adotam diante do conhecimento: Sócrates, o “intelectual”, usa seu importante conhecimento para autopromoção e vê a si mesmo como um grande, inclusive com o direito de viajar centenas de quilômetros para humilhar o matuto. Não queria ele COMPARTILHAR seu conhecimento, mas demonstrar sua superioridade em relação ao matuto.
    Zé de Dona Luzia, em contrapartida, faz jus à simplicidade do nome, ignorando, ou desprezando, a fama de sabido (“Sou sim, Zé de Dona Luzia, mas desconheço a tal fama de sabido.”). Quem disse que Zé era sabido? Não sei! Só sei que não foi ele. E isso, segundo Sócrates, o verdadeiro, já é um bom começo para eu acreditar que Zé de Dona Luzia é, de fato, sabido.

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  7. Bela crônica, Marcelo!

    “A pessoa saber que de nada sabe é o começo de tudo”. É o saber contrário à postura dos pseudo-intelectuais, que nas entrelinhas de seus discursos, arrotam que “só sabem que tudo sabe”.

    A propósito, muito criativa a sua viagem pela nossa cultural Paraíba.

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  8. Marcos Cavalcanti18 de julho de 2012 07:31

    Marcelo, entendi perfeitamente “a moral” do texto (aliás, ensinamentos morais estão intimamente associados à questão da humildade, que se inscreve no campo da moralidade). Eu apenas discorri um pouco sobre o conhecimento em si e sobre o método Socrático, em interlocução com Gilberto, que afirmou: “Este Sócrates é bem diferente daquele a quem tanto admiramos, não é mesmo?” Se é válido algo que disse sobre o conhecimento humano em si mesmo, que permaneça como está dito. Se não é, aguardo uma refutação.
    No que tange ao comportamento humano e sua relação com o saber, na análise dos dois personagens, continuo com a mesma impressão após leitura e releitura do texto, ou seja, que nem o “Zé de Luzia”, a despeito de citar á máxima socrática, nem o tal Sócrates, pela postura evidenciada na alegoria, demonstraram humildade. Se o “Zé de Luzia” nada tivesse dito a sua mamãe: “...incrível, só eles não percebem o quanto são ridículos!” Então, decerto que teria um juízo de valor diferente quanto ao caráter humilde do tal “Zé de Luzia”. Com seu arremate final, negou a essência mesma do lema socrático e deixou transparecer a sua presunção junto à sua família, que muito naturalmente, deve concordar com ele. Não li todos os textos em que Platão evoca Sócrates, mas não me recordo, dentre os que li, que em algum instante de seus inúmeros debates ou diálogos, para ser mais exato, Sócrates tenha dito ao seu interlocutor: “Seu argumento é RIDÍCULO”. Ou ainda, que tivesse confidenciado aos seus mais próximos, depois de fazer um pretencioso entender por seus próprios argumentos que estava errado: “Vê o quanto é ridículo este homem, que pensava saber e agora sabe que não sabia”. Ele não tratava o “ignorante” com desprezo, embora tenha afirmado que a ignorância era um mal; porque sabia que em alguma medida, todos nós somos ignorantes de ou em alguma coisa. Daí a frase “Só sei que nada sei” em oposição ao que “dizia” dele o Oráculo de Delfos”, considerando-o o mais sábio dos homens. O próprio lema socrático, quando analisado do ponto de vista lógico, é uma espécie de falácia, ou seja, um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega. Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica, mas não validade lógica. Ora, se Sócrates diz que nada sabe, conclui-se que ele sabe que nada sabe, portanto, já sabe alguma coisa. Se nada soubesse, diria apenas: eu não sei, e todos os seus diálogos, sem excessão, terminariam em uma Aporia. Apesar disso, é muito válida a máxima, na medida em que entendemos que ninguém precisa sair arrotando por aí, sabedoria. Os homens “sábios” seja lá o que isso for ou represente, gozam de tal conceito pelo que os outros dizem deles (ou seja os Delfos) e não estão preocupados com isso, como Sócrates.
    Se alguém afirma: “Gandhi era um homem sábio. O que diz na realidade?” Talvez que ele tenha tido a sabedoria e a capacidade de liderar o movimento que retirou a Índia do julgo da Inglaterra e por ser extramamente humilde em suas atitudes. E se um outro, retorquir: “Mas Gandi acreditava em Brahma, Shiva, Vishnu e em que outras divindades das 330 mil do Hinduísmo, logo, não pode ser sábio, pois acreditava no “Deus” ou nos “deuses” errados e não no meu que sou...”. O que importa isso? Essa afirmação final não eliminará jamais a grandeza dos atos de Mahatma Gandhi.

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  9. Marcos, ao ver os posts seus e de Marcelo aqui nos comentários, lembrei-me duma cena em O Parque dos Dinossauros em que um frágil humano fica posto entre dois dinossauros em pé de guerra. Dá vontade de correr. Não sei se aja como Zé ou como o Sócrates da historieta. Queria mesmo era ser como o Sócrates da História.

    Eis a (des)vantagem das fábulas: elas se prestam para muitas interpretações e aplicações.

    Lendo sua reflexão, lembrei de algo dito por Nietzsche:

    "A humanidade aprendeu a chamar a humildade de virtude, quando em todo o sistema moral superior ela é considerada como uma fraqueza."

    Estaria aí a linha filosófica que norteia suas afirmações?

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  10. Quando “o tal do Zé de Luzia”, novo nome do personagem fictício, perguntou o NOME dele o sujeito não se limitou a responder o que lhe havia sido perguntado, antes acrescentou que ERA poeta, crítico literário, conhecedor dos clássicos e da música erudita, conhecedor de centenas de cidades importantes... Além de falar apresentar/demonstrar/exibir/ostentar/estadear seu grande saber ele o fez com um (“AR DE SUPERIORIDADE E NA CERTEZA DE QUE AO MATUTO ERA IMPOSSÍVEL SER TÃO SÁBIO QUANTO ELE”.)
    Segundo quem escreveu o texto – narrador onisciente que estava lá, vendo tudo: as expressões faciais, o contexto das coisas, o “ar” de quem fala etc. -, o matuto percebeu a empáfia de Sócrates (“EXPLICOU ZÉ, JÁ PERCEBENDO O ESPÍRITO DE GRANDEZA E AR DE SUPERIORIDADE DO INTELECTUAL.”), certamente pela expressão facial, pela forma com que o intelectual exibiu seus vastos conhecimentos, pelo ar de, pelas experiências dos contatos que tinha com pessoas da cidade semelhantes ao intelectual (“AQUI MESMO EM JERICÓ TEM UNS DOIS OU TRÊS METIDOS A BESTA...”).
    Quando você diz “”Os homens “sábios” seja lá o que isso for ou represente, gozam de tal conceito pelo que os outros dizem deles...”” termina se alinhando à “moral” do texto, ou seja: ninguém precisa demonstrar intencionalmente seus vastos conhecimentos para ser percebido como sábio, ainda mais com “AR DE SUPERIORIDADE E NA CERTEZA DE QUE AO MATUTO ERA IMPOSSÍVEL SER TÃO SÁBIO QUANTO ELE”.

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  11. Não Gil, não está aí a linha divisória que norteia minhas afirmações no tocante à questão da humildade, que de tão humilde, aqui se apresenta com h minúsculo; aliás, só para esclarecer, não estou filiado ao pensamento de Nietszche nem de qualquer outro filósofo em particular, aprendo um pouco com cada um deles, mas também com os poetas, com os músicos, com os cientistas, com os loucos, com os animais e com os picaretas (muitos profissionais liberais de todas as classes e gêneros), por quê não? É com todo esse escopo que refletindo procuro formular as minhas ideias e conduzir as minhas ações, de modo que me sinto tão humano quanto todos eles (com vícios e virtudes, com ideias falsas e verdadeiras), nem mais, nem menos.
    Você nos dá uma boa oportunidade de abordar este tema com mais elementos e sob duas perspectivas, uma, a partir dos personagens que Marcelo criou em sua alegoria, e a outra a partir de gente de carne e osso, como eu e você. Vamos à primeira parte: penso ter demonstrado nos argumentos dos últimos posts sobre esse assunto, e que você vem acompanhando, que em ambos os personagens se encontra atitude de arrogância, seja em face do conhecimento mesmo ou em face dos próprios personagens. Ao Sócrates foram dadas pinceladas mais explícitas de soberba, obviamente porque convinha ao pretendido “ensinamento moral”, ao que não me filio, dado a falta de humildade de um e de outro. Senão vejamos. Quando o personagem Zé de Luzia diz: “...Quanto aos nomes que citou, conheço esse povo todo, mas gosto mesmo é de Guimarães Rosa, Augusto dos Anjos – paraibano como eu, Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga. É que não gosto muito de “gente grandona demais”; geralmente são pessoas menos do que tentam aparentar. Imagine o que se pode depreender disso: que o Zé “conhece”Kafka, Dostoievski e Spinoza. Para conhecer e não gostar, deve ter lido-os e feito seu juízo de valor sobre as respectivas obras literárias. Ou conheceria apenas os nomes, de nome, como dizemos? Dos quais não gosta (chamo novamente atenção para este juízo de valor explicitado). O texto não esclarece esta questão. Imagine, não gostar de Kafka, Dostoievski e Spinoza. É possível? É, mas Por quê? Tudo bem que não goste de boa literatura, de um determinado gênero literário ou da filosofia de Spinoza, talvez tão árida quanto à paisagem que contempla de sua casa. As razões, no entanto, nunca vamos saber. Atentai bem, como diria o ex-senador Mão Santa, o Zézinho (espero que o personagem não se ofenda com o diminutivo, tão comum em nosso Nordeste) também parece não gostar da música que fizeram Vivaldi, Bach, Handel, Mozart e Beethoven. Pasmem! sob o argumento de que são pessoas menos do que tentam aparentar. Isso, caro Gil, não pode ser levado a sério, sob o risco de acharmos que de fato o Tal do Zé de Luzia é, é doido mesmo. Tudo bem, não vamos discutir a loucura de Zé nesta questão, afinal de contas, para quê apelar para Freud se o nosso tema é a humildade? Cadê a humildade de Zé? Por outro lado, o Zé é leitor declarado de Guimarães Rosa e de Augusto dos Anjos, do primeiro, fico imaginando esse Zé, que não gosta “dos grandões”, lendo os contos de Tutaméia. Nem quero pensar nos romances. Guimarães, um monstro (metáfora) da Literatura Brasileira e certamente um dos grandes da literatura universal. Do segundo, Zé ao ouvir ecoar pelas brechas dos facheiros a musicalidade de: “Eu, filho do carbono e do amoníaco/ Monstro de escuridão e rutilância/ Sofro, desde a epigênesis da infância/ A influência má dos signos do zodíaco...” se tiver algum erro, me perdoe Augusto, é que estou citando de memória. Se pudéssemos extender esta história para trás e para frente talvez melhor pudéssemos nos posicionar quanto a um e ao outro, no que tange ao grau de conhecimento e ao grau de humildade de um e do outro contido em todo o enredo. Mas a história não vai além do que se apresenta, pelo menos por enquanto. [Continua abaixo]

    Marcos Cavalcanti

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  12. [continuação do comentário anterior]

    Semelhante método, já me refiro ao segundo ângulo da questão, Gil, teríamos necessariamente que seguir quanto ao ser humano real, antes de querer tachar A ou B de “humilde” ou “arrogante”, “tolerante ou intolerante”,” bom” ou “mau”, ou seja, teríamos de os examinar por todas por todos os seus atos. Aí entram questões filosóficas e de experimentação bem mais intrincadas, por exemplo: como distinguir a humildade da falsa humildade? Gil, você sabe, ninguém engana a si mesmo, nem mesmo o Alberto. As intenções, mesmo não reveladas, estão latentes e pulsantes na consciência de quem as teve. Ninguém consegue dar conta disso, nem o mais sábio dos filósofos nem o mais experiente dos cientistas. E também não há máquina para aferir isso. Quem sou eu para dizer que um destes grandes por aí, só pensou na glória ou em ser exemplo de humildade?
    Gil, muitos podem deixar se enganar pela aparência. Quanto às pessoas reais, não gosto de sair julgando ninguém, pois meu julgamento pode incorrer numa premissa falsa, como o daquele que pelo tom de minha voz, julgou-me um intolerante. Ele não disse o conteúdo da intolerância do tom de minha voz. Entendeu? Àquele, se me perguntasse, diria: sou sim um intolerante, não tolero as drogas, não tolero palavrões, não tolero fofoca, não tolero açúcar em meu estômago que logo ele pipoca a minha pele; não tolero uma porção de outras coisas mais, nem dá para descrever aqui. Entretanto, sou tolerante que o outro pense diferente de mim; que expresse sua opinião com honestidade; mas não tolero que o faça no anonimato porque sei das implicações que isso tem. Sou tolerante com uma porção de outras coisas mais, mas também não preciso descrevê-las aqui, pois o texto ganharia ares de confissão comunitária.
    A humildade, Gil, não é afetada quando o indivíduo usa uma corrente de ouro 18 kilates no pescoço ou no braço, paletó e gravata, roupas de marca ou passeia num carrão do último ano, isso é o aparente e pode enganar o que julga pelas aparências. A humildade é afetada quando aquele mesmo indivíduo não mostra propensão para perdoar a quem lhe pediu, com sinceridade, perdão. Rapaz, acho que vou ficar por aqui, porque penso que seria demais exigir a biografia de dois indivíduoss para ir esquadrejando até ficar evidente as vísceras do grau de humildade de cada um. É melhor não fazê-lo. E uma última dica, meu amigo, equece esse negócio de ringue, de guerra, de dinossauros lutando, o meu lema está no jardim de minha casa: POESIA E PAZ.

    Marcos Cavalcanti

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  13. É bom ver Marcos, Marcelo e Gilberto sendo instigados a filosofar. Lendo o texto e os comentários, lembrei-me da história do homem que ao visitar uma de suas fazendas esteve o tempo questionando um dos seus empregados sobre assuntos que ele desconhecia, até que o chamou de IGNORANTE. Mais adiante o fazendeiro pediu que aquele empregado explicasse sobre um procedimento a ser feito no gado da fazenda. O empregado olhou para o patrão e o questionou: o senhor não sabe? Muito me admiro! Então , doutor, neste caso , cada um com suas ignorâncias.

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  14. Marcos Cavalcanti19 de julho de 2012 05:27

    Vê Maciel, como uma história puxa outra. Lá estava eu, de tocaia, caçando com meus primos da Serra da Tapuia, embaixo de um pé que eu não sabia o nome, quando pousou um passarinho, então eu fiquei numa dúvida tremenda, e esse passarinho, é de matar? Serve para comer? E não atirei.Eles depois me disseram o nome de um e de outro. Hoje, se me colocarem embaixo do mesmo pé e pousar o mesmo passarinho, eu, minha ignorância e péssima memória, principalmente para nomes, não os reconhecerei. Só não tenho mais uma dúvida, a de que não caço mais.

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  15. CONCORDO MACIEL.

    O HOMEM É ALGO A SER SUPERADO (FRIEDRICH NIETZCHE-1844-1900)

    O CONHECIMENTO DE NENHUM HOMEM PODE IR ALÉM DE SUA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA (JOHN LOCKE-1632-1704)

    A POESIA E A PAZ DEVE SER REFLETIDA EM TODOS OS LUGARES QUE ANDAMOS.

    JOÃO

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  17. Apesar de não ter criado o texto com o objetivo de exaustivo debate, nem achar que mereça tanto, vamos lá..., por partes.

    I PARTE

    Marcos diz: “...em ambos os personagens se encontra atitude de arrogância.”

    Mas, veja-se, isso não se sustenta diante de alguns fragmentos do texto.

    O MATUTO SABIDO DISSE:

    “...mas desconheço a tal fama de sabido...”

    1.
    Aqui se percebe o desprezo do matuto pela fama que o conhecimento lhe trazia. Olha que estou falando de um personagem conhecido num raio de centenas de quilômetros como SABIDO, tanto é que o intelectual “...de tanto ouvir falar...” dele resolveu ir ao seu encontro. Tudo leva a crê que o matuto era de fato sabido, porém, deixava os outros perceberem tal sabedoria. Aqui fica clara sua postura altiva de não se entregar à arrogância que ele percebia ter se apossado do “intelectual”.

    2.
    Fazendo comentário sobre alguns metidos a besta, ele disse: “Leram alguns livrinhos e por isso
    se acham parte de uma elite intelectual dominante.”

    Zé morava numa cidade pequena e conhecia certas pessoas da cidade que faziam questão de apresentar uma imagem de pertencerem ao que ele chama de ‘elite intelectual dominante’. Zé era contra alguém ser intelectual? Claro que não! Ele provavelmente era um, porém, não se via como tal e não tentava aparecer como tal. TODOS sabiam que ele era sabido, menos ele. Portanto, não era arrogante.

    3.

    “Para mim, a essência do conhecimento é a humildade: a pessoa saber que de nada sabe é o
    começo de tudo.”

    Essa frase é um resumo da postura de Zé diante do conhecimento: saber que de alguma coisa ele nada sabia. Mais uma vez ele demonstra humildade.

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  18. [Continuação]


    Agora vejamos um fragmento que aponta o “intelectual” como arrogante:

    “...disse o intelectual com um ar de superioridade e na certeza de que ao matuto era impossível ser tão sábio quanto ele.”

    1.

    A meu ver, neste fragmento está o ponto crucial para se entender o espírito do texto e do que pretendi dizer. Sem forçar outras interpretações ou imaginar intensões maldosas contra A ou B.

    Albert Mehrabian, um professor armênio de psicologia, descobriu através de extensas pesquisas que a comunicação interpessoal se dá proporção de 7% - Verbal (somente palavras); 38% - Vocal (incluindo tom de voz, velocidade, ritmo, volume e entonação) e 55% - Não-verbal (incluindo gestos, expressões faciais, postura e demais informações expressas sem palavras). Ou seja, 93% da comunicação interpessoal ocorre através de gestos, expressões faciais,
    postura, entonação de voz etc. Se alguém disser: “vou te matar!” com um sorriso no rosto
    provavelmente não pretenderá dizer o que aparenta.

    Foi assim, com base nos 93% da comunicação vocal e não-verbal, que o matuto percebeu
    o “intelectual” arrotando seu grande conhecimento com a intensão de se mostrar superior.
    Foi essa percepção que o enojou. Eu posso dizer que ele não tinha elementos para dizer que
    o “intelectual” era arrogante? Não, porque não vi o que o matuto viu: os 93% da comunicação
    sem palavras acima apontada. Por mais que o intelectual viesse a dizer, com os 7% do que
    as palavras representam na comunicação, que não queria ter sido arrogante, foi o que ele
    demonstrou com gestos, expressões faciais, postura, tonalidade de voz etc.

    II PARTE

    A tentativa de fazer parecer que Zé não gostava dos clássicos (escritores e música) é uma interpretação forçada do texto. Veja-se:

    Zé de Dona Luzia conhecia tudo o que o “intelectual” conhecia (“...conheço esse povo todo...”) e quando citou que gostava mesmo era de Guimarães Rosa, Augusto dos Anjos, Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga o disse com a nítida intensão de mostrar a “Sócrates” que conhecer grandes nomes não lhe dava o direito de olhar os outros de cima para baixo, coisa que ele havia percebido pela comunicação vocal e não-verbal expressa (93% da comunicação). Quem disse que o matuto não gostava de Kafka, Dostoievski e Spinoza? Do texto se pode depreender apenas que ele PREFERIA, ou deu a entender que preferia, os escritores e músicos brasileiros apesar de também àqueles citados. Certamente ele disse que preferia os brasileiros apenas para fortalecer seu argumento de combate ao auto engrandecimento.
    Quando ele disse não gostar de “gente grandona demais” já havia percebido a intensão do “intelectual” de fazer refletir sobre si a grandeza daqueles que ele invocava. O intelectual tinha deixado claro pela linguagem vocal e não-verbal sua intensão de demonstrar sua SUPERIORIDADE por conhecer tão grande cultura. O matuto reagiu, tentando minimizar a importância do conhecimento assoberbado, enriquecido com empáfia, usado para exibir a própria grandeza, fazer autopromoção. Zé percebeu, em outras palavras, para ficar claro, que o “intelectual” esperava um retorno desse investimento (ler os grandes) para o próprio ego.

    Portanto, o matuto, pelos outros conhecido como sabido, não repudiava o conhecimento. Nunca repudiou.
    Tanto é que citou outros grandes de nossa literatura. Repudiava sim, o espírito de grandeza, de soberba, do uso do saber para autopromoção. É o que se conhece em psicologia como narcisismo secundário.

    Por fim, o comportamento final do “intelectual” denunciou que a percepção de Zé sobre ele estava certa: ““O “intelectual” ficou meio DESCONFIADO e sem explicar a que viera, saiu de fininho...””

    Espero que tenha conseguido explicar.

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  19. Marcelo Pinheiro.20 de julho de 2012 05:44

    Hoje (20/07) pela manhã um amigo me perguntou: "Gostou da Europa?" Sim, muito, mas eu gosto mesmo é do Brasil. Foi mais ou menos isso o que o matuto disse.

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  20. Marcos Cavalcanti20 de julho de 2012 06:09

    Data venia, Marcelo, o leitor dispõe somente daquilo que lê, ou seja, dos elementos textuais. No texto teatral, por exemplo, encontramos as ” rubricas”, pelas quais lemos o gestual dos personagens, e que ajuda a caracterizá-los. Não é esta a modalidade do seu texto. Se fosse, poderia não só ler/visualizar os gestos arrogantes do dito “intelectual”, para além do ar de superioridade já tão bem demonstrado nos textos, mas também as expressões do sabido Zezinho, que não era um ridículo (nem para o narrador nem para o escritor, ambos oniscientes da narrativa), mas que se achou no Direito de, do jeito dele lá que eu não vi, chamar os outros de ridículos junto a sua maezinha.
    Confesso que tentei fazer, com as suas últimas explicações verbais sobre o não-verbal que não se encontra no texto, um exercício de percepção ou de imaginação, mas foi em vão, e cheguei a conclusão, como mero leitor, por óbvio, que mesmo que o seu texto fosse transmutado em texto teatral e levado a um tablado, a minha percepção de expectador/leitor, seria exatamente a mesma quanto a um e a outro pelas razões que já expus exaustivamente, e sairia do teatro, nunca enojado, mas talvez com a impressão de que de fato o “intelectual” não era humilde e que o tal “Zé de Luzia”, mundialmente sabido, era, na verdade, um falso-humilde. Penso que não preciso dizer mais nada sobre a minha visão de leitor. Todavia, direi ainda alguma palavra sobre as várias possibilidades de leitura de um texto. Posso lê-lo sob a ótica da psicologia. Posso lê-lo ainda numa perspectiva antropológica. Lê-se ainda sob a ótica da sociologia. Possível é lê-lo sob o viés filosófico ou da moralidade e da ética, entre outras possibilidades de leitura. Bom mesmo é fazer um esforço danado para ler, tendo em conta todas estas disciplinas. Mesmo assim, o pobre ou rico leitor, crítico literário ou um literário crítico jamais terá a ONISCIÊNCIA do narrador ou do escritor. Este terá sempre a última palavra sobre o seu próprio texto. Será? Sei não. Se for, queimem toda crítica literária. Eu não acenderia essa fogueira.

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  21. Marcelo Pinheiro.21 de julho de 2012 14:32

    Mesmo entendendo que foi dada mais atenção a este pequeno texto do que merecia, faço a consideração a seguir.

    Foi dito: “Data vênia, Marcelo, o leitor dispõe somente daquilo que lê, ou seja, dos elementos textuais.”

    É evidente, Marcos, e esses elementos existem no texto. Data máxima vênia, vou apresentar novamente os dois fragmentos (elementos textuais)que indicam a percepção de Zé sobre as expressões e faces não escritas : 1) “...disse o intelectual com um ar de superioridade e na certeza de que ao matuto era impossível ser tão sábio quanto ele.”; 2) “...explicou Zé, já percebendo o espírito de grandeza e ar de superioridade do intelectual.”

    Assim sendo, o texto não exige do leitor uma percepção da comunicação não-verbal expressa pelo “intelectual”. Esses dois fragmentos elidem o leitor da necessidade de muita imaginação.

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  22. Marcos afirmou que o Sócrates poeta não difere muito do Sócrates filósofo. Fiquei a refletir sobre que imagens temos do Sócrates histórico. Pode suceder que minha percepção do comportamento e virtudes dele sejam diferentes para mim, Marcelo e para Marcos. Afinal, dispomos de poucos dados a respeito de sua personalidade e comportamento. Além do mais, penso que percebemos o outro de acordo com aquilo que somos ou imaginamos ser correto. Não é interessante isso?

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  23. Marcos Cavalcanti22 de julho de 2012 08:30

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  24. Gilberto e Marcelo, penso que maximizei ao máximo (pleonasmo) aquilo que pude perceber dos textos; confesso que os meus pensamentos ou argumentos vieram das instâncias e entrâncias das entranhas mais profundas do meu cérebro de leitor, com tudo que isso possa envolver (ID, EGO, SUPER EGO, ou sei lá mais o quê!); se é correta ou não a minha análise e interpretação quanto à postura dos dois personagens, não tenho a palavra final sobre isto, elas são apenas o que são e que estão nos escritos que postei. Não tenciono ir além disso, pois não tenho muita familiaridade com metafísica textual, e sobretudo também se estiver correto o que por duas vezes Marcelo afirmou sobre o seu texto: “Apesar de não ter criado o texto com o objetivo de exaustivo debate, nem achar que mereça tanto, vamos lá...” e “Mesmo entendendo que foi dada mais atenção a este pequeno texto do que merecia...”. Isto posto, paro por aqui e vou ouvir Edith Piaf cantando: Non, Je ne Regrette Rien... Ni le bien qu’ on ma fait, Ni le mal – tout ça m’ est bien égal!...” depois de ter ouvido Gonzagão “Quando eu voltei lá no sertão/ Eu quis mangar de Januário/ Com meu fole prateado/Só de baixo, cento e vinte, botão preto bem juntinho/ Como nêgo empareado/Mas antes de fazer bonito de passagem por Granito/Foram logo me dizendo:/"De Itaboca à Rancharia, de Salgueiro à Bodocó, Januário é o maior!"/ E foi aí que me falou meio zangado o véi Jacó:/ Luíz respeita Januário/ Luíz respeita Januário/ Luíz, tu pode ser famoso,/ mas teu pai é mais tinhoso/ E com ele ninguém vai,/ Luíz
    Respeita os oito baixo do teu pai!...”.

    Marcos Cavalcanti

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  25. Marcelo Pinheiro.22 de julho de 2012 11:10

    É sempre uma satisfação discutir literatura, ou qualquer outra coisa, neste nível.

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  26. Este comentário foi removido pelo autor.

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  27. Marcos, que bom que se conseguiu fazer um debate à altura, sem resvalar para a baixaria. Na historieta, matuto e intelectual não se entenderam, infelizmente. Todavia, um não acabou na peixeira do outro. Aqui também acabou sem mortos e feridos.

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  28. Que seja intelectual ou matuto
    O conhecimento estar no aprendizado
    do dia a dia, aperfeiçoado e exteriorizado
    Vindo de forma verbal ou escrito
    Pelo matuto geralmente dito
    Uma coisa é certo
    A regra estar para todos
    Gramaticalmente
    ou numeral mente
    A imaginação é o diferencial
    O humano diferente, estar acima do bem e do mal
    Seres dotados apenas de leituras teóricos (conhecimento papagaio)
    Seres merecedores de admiração de todos: criar e desenvolver o inexistente.

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